domingo, 8 de abril de 2012

Os salários da vergonha


R$ 622,00 , este é o valor com o qual milhares de brasileiros sobrevivem por mês. Passou-se um ano(2010) discutindo-se o aumento de R$ 512,00 para R$ 545,00 , a vontade do poder central ia de encontro ao dos sindicalistas que almejavam R$ 580,00. Acertou-se em R$ 545,00 a fim de não prejudicar o crescimento econômico nacional. E no começo de 2012, com base no crescimento do PIB nos últimos 2 anos teve-se um aumento de 14%, indo o salário mínimo para R$ 612,00.
Mas, afinal de contas, qual nossa intenção de divulgar tais valores? É mostrar que para aumentar o valor do salário mínimo, o salário que cai na conta da maior parte do povo brasileiro, há uma extrema burocracia enquanto que para aumentar o salário de um deputado ou senador basta ele próprio votar numa Emenda que o beneficie, ou seja, os deputados e senadores escolhem o salário que desejam receber, simples assim! Claro que um ajuste, ainda que pequeno, no salário mínimo requer um gasto grande aos cofres públicos e por este motivo deve-se ter moderação no seu aumento. Contudo porque não há a mesma moderação no salário das autoridades políticas? Onde está a igualdade de tratamento? Será que os senadores, deputados, prefeitos, governadores merecem receber bem mais que o resto da população?
O argumento de muitos “ a Lei permite...”, o que não é totalmente falso, uma vez que as leis deixam brechas para práticas ilícitas e falta fiscalização, porém é contra a própria Constituição. O salário atual de deputados e senadores é de R$ 26.700, fora o décimo-terceiro e duas “ajudas de custo” (no mesmo valor do salário), resultando num total de 15 salários. Ao ano isso significa num gasto R$ 237 milhões aos cofres públicos.
No Maranhão o buraco é mais fundo ainda, aqui os deputados ganham (pasmem) 18 salários! São os 12 subsídios mensais, de cerca de R$ 20,5 mil, mais o 13º salário e outros cinco adicionais, divididos entre o primeiro e a último mês do ano. Nos meses de dezembro e fevereiro, os parlamentares recebem uma "ajuda de custo" de R$ 50.105,85, determinada por decreto legislativo em 2006. Esse valor é adicionado ao salário pago normalmente, além de seus subsídios mensais de R$ 20.042,34. O total que os parlamentares recebem em cada um desses dois meses é de nada mais nada menos que R$ 70.148,19. A justificativa para a concessão das verbas de entrada e de saída é de que elas serviriam para compensar as "despesas de transporte e outras imprescindíveis para o comparecimento à sessão legislativa ordinária", como se o que eles ganham fosse pouco. No furor de tal constatação pelo poder Federal criou-se uma proposta que reduz de 18 para 15 subsídios a serem pagos aos parlamentares. Nada fizeram.
Enquanto poucos ganham um absurdo a pobre população brasileira se vê sujeita a míseros R$ 622,00. O bolo continua mal partido.


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